sábado, 31 de dezembro de 2016

Ainda as LFP da classe «Bellatrix»


Correcções e Esclarecimentos




A LFP «Bellatrix»


Foram construídas 13 unidades das Lanchas de Fiscalização Pequenas (LFP) classe «Bellatrix»:

As primeiras oito nos estaleiros nos estaleiros Bayerische Schiffbaugesellschaft mbH, em Erlenbach/Main, na Alemanha:

LFP «Bellatrix» - P 363;
LFP «Canopus» - P 364;
LFP «Deneb» - P 365;
LFP «Espiga» - P 366;
LFP «Fomalhaut» - P 367;
LFP «Pollux» - P 368;
LFP «Rigel» P 378;
LFP «Altair» - P 377;


A LFP «Bellatrix», a primeira, foi aumentada ao efectivo dos navios da Armada em 29-5-1961 e a LFP «Altair», a última, em 13 de Janeiro de 1962.

As três primeiras, as LFP «Bellatrix» - P 363, LFP «Canopus» - P 364 e a LFP «Deneb» - P 365 foram atribuídas ao Comando de Defesa Marítima da Guiné.

As restantes cinco, as P 365, «Espiga» - P 366, «Fomalhaut» - P 367, «Pollux» - P 368, «Rigel» P 378 e «Altair» - P 379 foram atribuídas ao Comando Naval de Angola - Esquadrilha de Lanchas do Zaire.

As outras cinco, construídas mais tarde no Arsenal do Alfeite, foram as seguintes:

LFP «Arcturus» - P 1151;
LFP «Aldebaran» - P 1152;
LFP «Procion» - P 1153;
LFP «Sirius» - P 1154;
LFP «Vega»- P 1155;


A LFP «Arcturus»- P 1151, a primeira, foi aumentada ao efectivo dos navios da Armada em 17 de Maio de 1968 e a LFP «Vega»- P 1155, a última, em 21 de Setembro de 1970.

As três primeiras, as LFP «Arcturus» - P 1151, LFP «Aldebaran» - P 1152 e a LFP «Procion» - P 1153 foram atribuídas ao Comando de Defesa Marítima da Guiné.

As restantes duas, as LFP «Sirius» - P 1154 e a LFP «Vega»- P 1155, foram atribuídas ao Comando Naval de Moçambique - Comando de Defesa Marítima de Porto Amélia.

Ainda que estas 13 unidades navais tivessem características gerais semelhantes, pequenos pormenores houve em pequenos retoques de aperfeiçoamento ulterior ao fabrico, consoante o teatro de operações. Baseavam-se em informações colhidas da experimentação prática conducentes à melhoria das condições quer de defesa quer de operacionalidade global.

Apenas as LFP atribuídas ao Comando de Defesa Marítima da Guiné instalaram chapa balística de protecção e lança-foguetes de 37 mm. Mesmo neste caso o desenho foi alterado posteriormente.

Na Revista da Armada referida como fonte, pode ler-se que:


“...Os motivos das cinco LFP construídas a partir da LFP «Arcturus» terem ficado com os deslocamentos e o calado máximo superiores e a velocidade máxima inferior aos das primeiras oito LFP «Bellatrix» foi o facto de na sua construção ter sido utilizada chapa de maior espessura, das capacidades dos tanques de aguada e de combustível serem maiores e ainda do guincho do ferro ser de um modelo diferente mais volumoso e mais pesado.

Mas além destas diferenças não detectáveis à vista, (exceptuando talvez o guincho do ferro), havia outras, exteriores, que permitem fazer a destrinça facilmente: assim as oito lanchas construídas no estaleiro alemão têm dez vigias rectangulares no casco, cinco a cada bordo, enquanto que as cinco lanchas "Arcturus" têm quinze pequenas vigias circulares, sete no costado de BB e oito no de EB. Por outro lado a antena do radar (Decca 303) nas oito LFP «Bellatrix» está montada no topo de uma pequena coluna posicionada a BB da superestrutura da ponte ao passo que nas cinco LFP «Arcturus» aquela antena de radar está instalada no galope de um mastro que tem quase o dobro da altura e que, como quase todos os mastros, se encontra colocado no plano de mediania do navio...”





A LFP «Espiga»



A LFP «Aldebaran»


As imagens acima inseridas, sombreadas nos pormenores que constituiram alterações notáveis de construção, dispensam legendas no que respeita à imediata percepção visual destas diferenças exteriores.

Depreende-se logicamente que o aspecto exterior, tanto no caso da LFP «Sírius» como no da LFP «Vega», seriam necessariamente idênticos ao da LFG «Aldebaran», mas tendo em conta que não dispunham do lançador de foguetes de 37 mm nem de chapa balística de protecção.



Apenas como um exemplo de equipamento modificado, instalado em algumas das LFP, repare-se no lançador de foguetes montado inicialmente na LFP “Bellatrix”, comparativamente ao modelo que outras vieram a instalar posteriormente como o da LFP «Aldebaran».

Navios da classe:

«Bellatrix», «Canopus», «Deneb», «Espiga», «Fomalhaut», «Pollux», «Rigel», «Altair», «Arcturus», «Aldebaran», «Procion», «Sirius» e «Vega»



Fontes:
Arquivo de Marinha; Dicionário de Navios & Relação de Efemérides, Adelino Rodrigues da Costa, Edições Culturais de Marinha, 2006; Setenta e Cinco Anos no Mar, 16.º volume, Comissão Cultural de Marinha, 2005; Revista da Armada, n.º 405 - Das lanchas de Fiscalização Pequenas, José Ferreira dos Santos, membro da Academia de Marinha.

mls

quinta-feira, 29 de dezembro de 2016

Reserva Naval nas LFP - Lanchas de Fiscalização Pequenas classe «Bellatrix»


Os Oficiais da Reserva Naval na LFP «Bellatrix» - P 363

(Post reformulado a partir de outro já publicado em 23 de Janeiro de 2011)

Das Lanchas de Fiscalização Pequenas (LFP) classe «Bellatrix» foram construídas 13 unidades das quais, as primeiras oito, as LFP «Bellatrix» - P 363, LFP «Canopus» - P 364, LFP «Deneb» - P 365, «Espiga» - P 366, «Fomalhaut» - P 367, «Pollux» - P 368, «Rigel» P 378 e «Altair» - P 379, nos estaleiros nos estaleiros Bayerische Schiffbaugesellschaft mbH, em Erlenbach/Main, na Alemanha.

As restantos cinco, as LFP «Arcturus»- P 1151, LFP «Aldebaran»- P 1152, LFP «Procion» - P 1153, LFP «Sirius»- P 1154 e LFP «Vega»- P 1155, foram construídas no Arsenal do Alfeite, tendo a primeira sido aumentada ao efectivo dos navios da Armada em 17 de Maio de 1968 e a última em 21 de Setembro de 1970.

A primeira, a LFP «Bellatrix», foi aumentada ao efectivo dos navios da Armada em 29-5-1961, na Guiné, depois de ter sido transportada por um navio mercante para Bissau, onde chegou em 17 daquele mês, juntamente com a LFP «Canopus».

Foi integrada na Esquadrilha de Lanchas da Guiné e a primeira de um grupo de 13 unidades que constituiram a classe «Bellatrix». Ainda que algumas delas reflectissem alterações estruturais profundas entre si, resultantes da necessidade de as adaptar aos cenários de operações, foi decidida a sua classificação na mesma classe, para simplificação de tipologias diferenciadas que poderiam implicar uma reclassificação em, pelo menos, duas classes distintas.

Estas unidades navais tinham as seguintes características gerais:



Fez parte do planeamento inicial do Estado-Maior da Armada este tipo de unidades navais serem comandadas por um Sargento de Manobra. Mais tarde, por proposta do Comando de Defesa Marítima da Guiné, a ideia foi abandonada. Na sequência da resolução de alguns problemas de navegação surgidos pelo tipo da complexa hidrografia daquele território foi decidido que o comando passasse a ser efectuado por um oficial subalterno.



Em cima, na Guiné - A LFP «Bellatrix» a navegar no rio Cacine ainda sem o lançador de foguetes e, em baixo, o perfil daquela unidade naval num ozalide do desenho de construção naval



Entre a saída de Lisboa para a Guiné e 27 de Setembro de 1961, data em que o primeiro oficial da Reserva Naval, assumiu as funções de comandante, a LFP “Bellatrix” teve como Patrão e Mestre um Sargento Ajudante da classe de Manobra – José Agostinho Moreira, tendo participado em diversas acções de fiscalização, transporte de pessoal e material, combóios, transporte de fuzileiros e emboscadas.



Em cima: Ainda nos estaleiros Bayerische Shiffbaugesellschaft mbH, a LFP «Bellatrix»
em fase de provas de mar, e na altura do embarque no transporte que a haveria de trazer para Portugal;
Em baixo: Já carregada lado a lado com a LFP «Canopus»




Ainda que tenha iniciado no rio Cacheu em Agosto de 1961 a sua vida operacional, teve mais destacada participação no apoio a operações e a comboios logísticos, sobretudo nos rios do sul da Guiné. A partir de meados de 1968 passou a integrar também o dispositivo naval no rio Cacheu – Operação Via Láctea.

Foi alvo de frequentes emboscadas e manteve combates com grupos armados instalados nas margens dos rios Tombali, Cobade, Cumbijá e Cacine, tendo sido atingida pelo fogo inimigo.



O local de impacto de uma «bazookada» no rio Cobade.

Em Janeiro de 1964, participou na Operação “Tridente”, decorrida até 22 de Março. Em 13 de Fevereiro de 1968 foi violentamente atacada no rio Cobade de que resultaram, além de um rombo a bombordo, 80% abaixo da linha de água, estragos na casa da navegação, radar, sistema eléctrico e motores principais que obrigaram a mais prolongada reparação.



Durante todo o período em que esteve operacional, sempre na Guiné, foram comandantes da LFP «Bellatrix» os seguintes oficiais da Reserva Naval:



2TEN RN Fernando Manuel da Silva Ferreira, 3.º CEORN, 27Set61 a 09Abr63;
2TEN RN Rui George Osório de Barros, 4.º CEORN, 09Abr63 a 23Jun64;
2TEN RN António Simas de Oliveira Vera Cruz, 6.º CEORN, 23Jun64 a 02Jun66;
2TEN RN Manuel Henrique Vieira de Sousa Torres, 8.º CEORN, 02Jun66 a 23Mar68;




2TEN RN Raul Jorge Ramos de Lima, 10.º CFORN, 23Mar68 a 15Dez69;
2TEN RN José Luis Ferreira da Silva Dias, 14.º CFORN, 15Dez69 a 15Fev70;
2TEN RN Raul Jorge Ramos de Lima, 10.º CFORN, 15Fev70 a 26Mar70 (cont);
2TEN RN José Manuel Garcia da Costa Bual, 14.º CFORN, 26Mar70 a 10Ago70;




2TEN RN António José Fonseca Prezado Alves, 15.º CFORN, 10Ago70 a 24Ago72;
2TEN RN Fernando Manuel Correia dos Santos, 18.º CFORN, 24Ago72 a 10Set73;
2TEN RN José Manuel Miranda Themudo Barata, 21.º CFORN, 10Set73 a 07Set74;





Guiné – Registos fotográficos de missões da LFP «Bellatrix» sendo visível
o lançador de foguetes de 37 mm, montado por cima da metralhadora Oerlikon de 20 mm








Em Bissau, atracada no interior da asa da ponte-cais em T, de braço dado com a LFG “Lira” (1968)





Em modelos à escala, em cima, na AORN – Associação dos Oficiais da Reserva Naval ou, em baixo,
tanto a navegar com radar em cima, como amarrada à bóia na Lagoa Azul em Sintra, em 2009








Depois de mais de 13 anos de bons serviços e mais de 8.500 horas de navegação, a LFP «Bellatrix» foi abatida ao efectivo dos navios da Armada em 7 de Setembro de 1974.

Navios da classe:

«Bellatrix», «Canopus», «Deneb», «Espiga», «Fomalhaut», «Pollux», «Rigel», «Altair», «Arcturus», «Aldebaran», «Procion», «Sirius» e «Vega»

Fontes:
«Dicionário de Navios» de Adelino Rodrigues da Costa, Edições Culturais da Marinha – 2006; «Setenta e Cinco Anos no Mar», Lanchas de Fiscalização Pequenas (LFP), 16º VOL, 2005: fotos de arquivo do autor do blogue, Arquivo de Marinha, Revista da Armada, Carlos Dias Souto e Mário Cavalleri.

mls

quarta-feira, 28 de dezembro de 2016

Lago Niassa - Base Naval de Metangula, 1964/75 (2)


Reserva Naval nas Companhias de Fuzileiros Navais (CF)

(final)


De 1964 a 1975, 12 Companhias de Fuzileiros Navais integraram o dispositivo da Marinha de Guerra em Moçambique que tiveram como bases de estacionamento Lourenço Marques (Machava) e Lago Niassa (Metangula), ainda que ao longo do tempo tivessem cedido pelotões de reforço em vários locais, consoante as necessidades operacionais.

Um total de 76 oficiais integraram o conjunto das CF, dos quais 25 (3 médicos navais) pertenceram aos Quadros Permanentes (32,9%) e 51*(2 médicos navais) à Reserva Naval (67,1%), sendo o comandante de cada uma das unidades dos QP.

Além das Companhias de Fuzileiros o dispositivo incluiu ainda 7 Pelotões de Reforço, dos quais dois foram também comandados por Oficiais da Reserva Naval e os restantes por Sargentos.

Num caso, o oficial que comandou a CF 7 (1973/74), 1TEN Mário José do Santos Carvide, já tinha efectuado comissão anterior como oficial da Reserva Naval no DFE 6, Guiné - 1966/67, tendo ingressado posteriormente no quadro.




CF2 (1962/65)

1TEN José Carlos de Melo Borges Delgado, QP (Comandante)
2TEN José Manuel da Costa Ilharco Moura, QP
2TEN FZ RN Alexandre Manuel Cruz Mendes, 4º CEORN
2TEN FZ RN Eduardo Oloíso Tavares da Costa, 5º CEORN
2TEN RN Carlos Alberto Beatriz da Costa Miranda, 4º CEORN
2TEN RN Luís António Calheiros da França e Sousa, 4º CEORN
2TEN RN José Maria Raposo de Sousa Abecassis, 4º CEORN
2TEN MN RN António Santos Magalhães, 4º CEORN

CF6 (1965/67)

1TEN Heitor Prudêncio dos Santos Patrício, QP (Comandante)
2TEN MN Humberto de Vasconcelos Gonçalves, QP
2TEN António Bernardo Brito e Cunha, QP
2TEN RN Agostinho Cortes Caro Quintiliano, 6º CEORN
2TEN RN Joaquim Manuel Rebordão Esteves Pinto, 6º CEORN
2TEN FZ RN Armando Luiz Clemente de Bayão Marçal Corrêa
2TEN FZ RN Francisco Xavier Mata de Santa Rita Colaço
2TEN FZ RN Eduardo Bello Van Zeller, 8º CEORN
2TEN FZ RN José Manuel Raposo da Silva Peixoto, 8º CEORN
2TEN FZ RN Manuel Renipundo Monteiro Coutinho, 8º CEORN

CF8 (1965/68)

1TEN Jaime Barata Botelho, QP’s (Comandante)
2TEN Carlos Alberto Branco Martins Rosa Garoupa, QP
2TEN FZ RN Augusto César Gaspar Ferraz, 7º CEORN
2TEN FZ RN João Garcia Ribeiro, 7º CEORN
2TEN FZ RN Joaquim Miguel Calhau Barrocas, 7º CEORN
2TEN FZ RN José Sebastião Raposo Alves Saltão, 7º CEORN
2TEN FZ RN José Luís Sequeira Abrantes, 9º CFORN
2TEN FZ RN Aristides Alves do Nascimento Teixeira, 9º CFORN (correcção)
2TEN MN Dinis da Silva Noivo, QP

CF2 (1967/69)

1TEN José Manuel Oliveira Monteiro, QP (Comandante)
2TEN Pedro Miguel Peixoto Correia do Amaral, QP
2TEN FZ RN Manuel Renipundo Monteiro Coutinho, 8º CEORN
2TEN FZ RN José Manuel Raposo da Silva Peixoto, 8º CEORN
2TEN FZ RN Luis Filipe de Azevedo Araújo Neves, 8º CEORN
2TEN FZ RN Aristides Alves do Nascimento Teixeira, 9º CFORN (correcção)
2TEN FZ RN Carlos Alberto Correia de Matos e Silva, 9º CFORN
2TEN MN RN Agostinho Diogo Jorge de Almeida Santos, 8º CEORN

CF4 (1968/70)

1TEN António Pereira Varandas, QP (Comandante)
2TEN José Manuel Narciso de Sousa Henriques, QP
2TEN FZ RN José Luís Sequeira Abrantes, 9º CFORN
2TEN FZ RN Albertino da Silva, 10º CFORN
2TEN FZ RN Mário Artur Rodrigues de Almeida, 10º CFORN
2TEN FZ RN João António Rodeia Peneque, 10º CFORN
2TEN MN RN Mário Orlando Matos Bernardo, 9º CFORN
2TEN FZ RN João Alberto de Bettencourt Dias, 11º CFORN

CF1 (1969/71)

1TEN António Lucas Dias da Costa, QP (Comandante)
2TEN SG Amélio da Silva Cunha, QP
2TEN FZ RN Ernesto de Matos Durão, 13º CFORN
2TEN FZ RN Apolino Luz Martins, 13º CFORN
2TEN FZ RN Francisco Luís Tavares de Sousa Gomes, 13º CFORN

CF2 (1970/72)

1TEN Serafim Simões da Silveira Pinheiro, QP (Comandante)
2TEN SG Bernardino Rodrigues, QP
2TEN MN Osvaldo de Barros Mendes, QP
2TEN FZ RN António Maria Amaro Monteiro, 13º CFORN
2TEN FZ RN Sebastião Tavares Coutinho, 13º CFORN
2TEN FZ RN Vitor Manuel Gonçalves Cabeço, 13º CFORN
2TEN FZE RN José Diogo Coelho da Silva Passos, 16º CFORN

CF10 (1971/73)

1TEN Fernando Alberto dos Santos Lourenço, QP (Comandante)
2TEN SG Manuel Pereira Bicho, QP
2TEN FZE RN José Conde Figueiral Rebelo, 16º CFORN
2TEN FZ RN Eduardo Rui Gago de Carvalho e Cunha,16º CFORN (correcção)
2TEN FZ RN Carlos Alberto de Menezes Feio Duro, 17º CFORN
2TEN FZ RN Duarte Rodrigo Cardoso Belard da Fonseca, 20º CFORN
2TEN FZ RN Artur Eduardo Chaves da Fonseca, 16º CFORN

CF9 (1972/74)

1TEN Eduardo Eugénio Castro de Azevedo Soares, QP (Comandante)
2TEN SG Virgílio André Parola, QP
2TEN FZ RN José Inácio Gonçalves Mimoso Padre, 17º CFORN
2TEN FZ RN Manuel Augusto Simões Morgado, 18º CFORN
2TEN FZ RN António José Miranda Correia, 18º CFORN
2TEN FZ RN José Luís Calheiros Ferreira, 18º CFORN
2TEN FZ RN Roque Gomes dos Santos, 18º CFORN

CF7 (1973/74)

1TEN FZ Mário José dos Santos Carvide, QP (Comandante)
2TEN SG José Manuel Estevens Ferreira, QP
2TEN FZ RN José António de Oliveira Rocha e Abreu, 19º CFORN
2TEN FZ RN José Amaro Martins Carmona e Costa, 21º CFORN
2TEN FZ RN Jorge de Oliveira Cardoso Fernandes, 21º CFORN
2TEN FZ RN Nuno Eça de Queiroz Cabral, 21º CFORN

CF11 (1973/74)

1TEN EMQ José Eduardo Martins dos Reis, QP (Comandante)
2TEN SG Norberto Baptista Lourenço, QP
2TEN FZ RN Carlos Manuel Alves Martins, 20º CFORN
2TEN FZ RN João Manuel Pereira Forjaz de Sampaio, 20º CFORN
2TEN FZ RN Eduardo Augusto de Oliveira Pereira Machado, 20º CFORN
2TEN FZ RN Luís Mário Pais Paiva de Andrade, 21º CFORN

CF10 (1974/75)

1TEN José Manuel Narciso de Sousa Henriques, QP (Comandante)
2TEN SG Manuel Rodrigues, QP
2TEN FZ RN José Lopes da Cruz, 22º CFORN
2TEN FZ RN António Pedro Queirós Vendrell Santos, 22º CFORN
2TEN FZ RN Francisco Maria Castel Branco Potes Cordovil, 22º CFORN
2TEN FZ RN João Sérgio dos Santos Cardoso, 22º CFORN

Pelotão de Reforço (1968/70)

2TEN FZ RN Carlos Alberto Correia de Matos e Silva, 9º CFORN (Comandante)

Pelotão de Reforço (1970/72)

2TEN FZ RN Mário Themudo da Costa Macedo, 13º CFORN (Comandante)


* Dois dos oficiais da CF6 (1965/67) repartiram alargadamente os tempos de comissão pela CF 2 (1967/69)





Fontes:
Factos e Feitos da Guerra de África - Moçambique, Comissão Cultural da Marinha, 2006, Luís Sanches de Baêna; Anuário da Reserva Naval, 1958-1975, Lisboa, 1992, Adelino Rodrigues da Costa e Manuel Pinto Machado;fotos cedidas pela Escola de Fuzileiros;


mls

segunda-feira, 26 de dezembro de 2016

Lago Niassa - Base Naval de Metangula, 1964/75 (1)


Reserva Naval nos Destacamentos de Fuzileiros Especiais (DFE)





De 1964 a 1975, 19 Destacamentos de Fuzileiros Especiais integraram o dispositivo da Marinha de Guerra em Moçambique que, pela rotatividade periódica de locais de estacionamento, desempenharam missões em todo o território de forma idêntica, especialmente, no Lago Niassa - Metangula ou Cobué – e também em Porto Amélia. Ainda o Ibo, Mocojo, Tete, Magoé Velho, e Tchiroze foram locais pontuais de actuação.




Um total de 75 oficiais integraram o conjunto dos DFE, pertencendo 32 aos Quadros Permanentes (42,7%) e 43 (57,3%) à Reserva Naval, sendo o comandante de cada uma daquelas Unidades dos QP.

Em dois casos, os oficiais que comandaram os destacamentos já tinham efectuado comissões anteriores como oficiais da Reserva Naval.

Foram eles:

Pedro Salgado Baptista Coelho, do 7.º CEORN que, tendo pertencido ao DFE 5 (1965/67) naquele teatro, veio a comandar o DFE 9 (1969/71), no mesmo local. De forma idêntica, Vasco Manuel Teixeira da Cunha Brazão, do 11.º CFORN integrou, na Guiné, o DFE 13 (1968/70), vindo a comandar em Moçambique o DFE 11(1972/74). Em ambos os casos, depois de ingressarem nos Quadros Permanentes vieram a desempenhar diversas funções de comando, atingindo o posto de Capitão-de-mar-e-guerra.

DFE 1 (1964/66)

1TEN Maxfredo Ventura da Costa Campos, QP (Comandante)
2TEN Fernando Alberto Gomes Pedrosa, QP
2TEN FZE RN António da Silva Pereira Jardim, 6.º CEORN

DFE 12 (1965/67)´

1TEN João António Serra Rodeia, QP (Comandante)
2TEN Luís Henriques Lopes Silva de Carvalho, QP
2TEN FZE RN João Frederico Campos Burnay, 7.º CEORN

DFE 5 (1965/67)

1TEN José Luís Pinto Gomes Teixeira, QP (Comandante)
2TEN Carlos António David Silva Cardoso, QP
2TEN FZE RN Pedro Salgado Baptista Coelho, 7.º CEORN

DFE 8 (1966/68)

1TEN João Carlos da Fonseca Pereira Bastos, QP (Comandante)
2TEN José Manuel Mala Ferreira Serra, QP
2TEN Raúl Patrício Leitão, QP
2TEN FZE RN Armando António dos Santos Martins, 10.º CFORN

DFE 9 (1967/69)

1TEN António Luís Santarém da Cruz, QP (Comandante)
2TEN António Eduardo Barbosa Alves, QP
2TEN FZE RN Raúl Henrique Cardoso da Sena Belo, 10.º CFORN
2TEN Guilherme Eduardo Trigo Allen, QP

DFE 1 (1967/69)

1TEN Carlos Jorge Ferreira de Magalhães Queiroz,QP (Comandante)
2TEN Luís António Pinto Basto Ribeiro Ferreira, QP
2TEN FZE RN José Manuel Matos Moniz, 8.º CEORN
2TEN FZE RN António Manuel Ponce de Leão Bettencourt, 10.º CFORN

DFE 4 (1967/69)

1TEN FZ José de Almeida e Costa Cardoso Moniz, QP (Comandante)
2TEN António Maria Catarino da Silva, QP
2TEN FZE RN José David Rodrigues Teixeira, 10.º CFORN
2TEN FZE RN Manuel Augusto Lopes, 10.º CFORN

DFE 6 (1968/70)

1TEN Hermenegildo Duarte Lourenço, QP (Comandante)
2TEN Manuel Amândio Francisco Pina, QP
2TEN FZE RN António José Rodrigues da Hora, 11.º CFORN
2TEN FZE RN José Floriano Lopes Fernandes, 12.º CFORN

DFE 5 (1969/71)

1TEN Luís Filipe Vidigal Aragão, QP (Comandante)
2TEN Joaquim Francisco de Almada Paes de Villas-Boas, QP
2TEN FZE RN Antides Rama de Oliveira Santo, 12.º CFORN
2TEN FZE RN António Lopes Fernandes, 12.º CFORN

DFE 9 (1969/71)

1TEN FZ Pedro Salgado Batista Coelho, QP (Comandante)
2TEN FZE RN António Nobre Rama, 13.º CFORN
2TEN FZ RN Vitor Manuel Lima Palmeira, 13.º CFORN
2TEN FZ RN Ismael da Costa Monteiro, 13.º CFORN

DFE 11 (1969/72)

1TEN Carlos Alberto Fernandes Maia, QP (Comandante)
2TEN Luís Alberto Cristiano de Oliveira, QP
2TEN FZE RN António Bento Martins Ferraz, 14.º CFORN
2TEN FZE RN Hélio Tavares Caló, 14.º CFORN

DFE 2 (1970/72)

1TEN José Manuel Ferreira de Gouveia,QP (Comandante)
1TEN José Luís Rodrigues Portero, QP
2TEN FZE RN Manuel Ribeiro Cardoso Rosa, 15.º CFORN
2TEN FZE RN José Jacinto de Almeida Vasconcelos Raposo, 15.º CFORN

DFE 7 (1971/72)

1TEN António Sadler Simões, QP (Comandante)
2TEN FZE RN Avelino Jorge da Silva Oliveira, 16.º CFORN
2TEN FZE RN António Manuel Mateus, 16.º CFORN
2TEN FZE RN António Luís Monforte Cunha e Silva, 15.º CFORN
2TEN FZE RN David Ribeiro de Sousa Geraldes, 18.º CFORN

DFE 5 (1971/73)

1TEN Pedro Manuel Ferreira Bastos Moreira, QP (Comandante)
2TEN FZE RN José Henriques Rodrigues Franco, 17.º CFORN
2TEN FZE RN Joaquim Pires dos Santos, 17.º CFORN
2TEN FZE RN Carlos Manuel Alves Martins, 20.º CFORN
2TEN FZE RN Luís Emanuel das Dores Ricardo, 16.º CFORN

DFE 9 (1971/73)

1TEN João Manuel Balançuella Bandeira Ennes, QP (Comandante)
2TEN FZE RN Francisco Manuel Lhano Preto, 17.º CFORN
2TEN FZE RN António Maria Allen Burnay Bello, 18.º CFORN
2TEN FZE RN Carlos Alberto Amado Pereira da Silva, 18.º CFORN
2TEN FZE RN António Guilherme Berbereia Ribeiro Moniz, 20.º CFORN

DFE 3 (1972/74)

1TEN EMQ José Matias Cortes, QP (Comandante)
2TEN FZE RN José Manuel Siguensa de Barahona Fragoso, 17.º CFORN
2TEN FZE RN António Agostinho Lucas da SIlva, 18.º CFORN
2TEN FZE RN Domingos de Sousa e Holsten Salgado, 18.º CFORN

DFE 11 (1972/74)

1TEN FZ Vasco Manuel Teixeira da Cunha Brazão, QP (Comandante)
2TEN FZE RN Pedro Segismundo do Valle Teixeira, 19.º CFORN
2TEN FZE RN Joaquim Maria Feijó, 20.º CFORN
2TEN FZE RN José Joaquim Pereira Simões, 23.º CFORN

DFE 8 (1973/74)

1TEN EMQ António Manuel Martins, QP (Comandante)
2TEN FZE RN Luís Alberto Pessoa de Fonseca Castro, 21.º CFORN
2TEN FZE RN Leopoldo Maria Lemos da Cunha Matos, 22.º CFORN

DFE 10 (1974/75)

1TEN Fernando Manuel de Oliveira Vargas de Matos, QP (Comandante)
2TEN FZE RN António Humberto Batista Dias, 22.º CFORN
2TEN FZE RN Benjamim de Jesus Correia, 23.º CFORN
2TEN FZE RN José Carlos da Mota Rodrigues, 23.º CFORN


(a continuar)



Fontes:
Factos e Feitos da Guerra de África - Moçambique, Comissão Cultural da Marinha, 2006, Luís Sanches de Baêna; Anuário da Reserva Naval, 1958-1975, Lisboa, 1992, Adelino Rodrigues da Costa e Manuel Pinto Machado;fotos cedidas pela Escola de Fuzileiros;


mls

sábado, 24 de dezembro de 2016

Ainda a LDG “Bombarda” - LDG 201


O enigma da LDG «Bombarda» - LDG 201

(Post reformulado a partir de outro já publicado em 5 de Agosto de 2009)

Tempos mais tarde, bem mais que ano e meio depois, meados de 2010, numa empreitada nada habitual, decidi aportar à «Messe de Cascais». Aproveitei a oportunidade para revisitar aquele antigo forte de Santa Catarina cedido à Marinha por Henrique Maufroy de Seixas.

Por lá me mantive em ameno convívio durante algumas horas e, como sempre, armado da minha inseparável câmara fotográfica, «flashei» à esquerda e à direita, registando réplicas de navios à escala que me fizeram recuar no tempo um bom par de anos.

Lá encontrei a LDG «Bombarda», ou melhor, era suposto ter observado um modelo daquela Lancha de Desembarque Grande que parecia ser, mas afinal não era! É que, com o número de costado LDG 205, perfeitamente legível, não existiu definitivamente qualquer unidade naval. Agora não se tratava nem da LDG 201 nem da LDG 105, mas uma unidade naval com o número de amura«nim»...




Em cima o modelo da LDG «Bombarda», na altura exposto na Messe de Cascais e, em baixo, a placa com o registo das principais características.



Também chamava a atenção o facto de ainda ter como armamento peças Oerlikon de 20 mm em vez das Bofors de 40 mm com que já foi armada para a Guiné. Pormenores passam sempre e, quem sabe, talvez tenha começado por ser construído a partir de um modelo da anterior classe «Alfange».



Foto já anteriormente publicada:
A LDG «Bombarda», ainda como LDG 105, antes de seguir para a Guiné; visíveis no convés superior as peças Bofors de 40 mm.


Neste percurso temporal, pelas diferentes características de fabrico, armamento e equipamentos, entendeu o Estado-Maior da Armada que fosse criada uma nova classe – as LDG’s da classe 200 – das quais a que lhe deu o nome foi justamente a LDG «Bombarda» – LDG 201.

A O. A. 1ª Série nº 73 de 19 de Novembro de 1969 publicou:
2 – NOVA CLASSE DE LANCHAS DE DESEMBARQUE E RESPECTIVA LOTAÇÃO:
Portaria nº 24 410, de 13 de Novembro de 1969:
Manda o Governo da República Portuguesa, pelo Ministro da Marinha:
1º - Que a lancha de desembarque «Bombarda» deixe de pertencer à classe «Alfange» e passe a designar uma nova classe.
2º - Que as lotações normal e completa das lanchas de desembarque da classe «Bombarda» sejam as que se encontram fixadas na Portaria nº 22 243, de 12 de Outubro de 1966, para as lanchas de desembarque da classe «Alfange»
(Publicada no Diário do Governo I Série nº 266/13.11.1969).


Naturalmente que esta alteração teve de ser efectuada antes de ser aumentada ao efectivo a LDG «Alabarda – LDG 202, a segunda da classe 200, em 7 de Setembro de 1971.

Apesar das pesquisas efectuadas, não foi possível encontrar qualquer outro documento em que figure a data em terão sido alterados, na LDG «Bombarda» (LDG 201), os respectivos números de amura para os correctos.

No meio deste emaranhado de alterações algumas gralhas terão passado. Contudo será um interessante modelo representativo das Lanchas de Desembarque Grandes, a par de outros que ali também estavam expostos.

Não deixa finalmente de ser curioso que a publicação "Setenta e Cinco Anos No Mar", 17.º Vol, Comissão Cultural da Marinha, 2006, seja reflexo da mesma gralha na imagem da LDG «Bombarda" publicada. Ali foi impressa como LDG 205 em vez do correcto LDG 201.

Tópicos já publicados sobre as LDG - Lanchas de Desembarque Grandes:




Fontes:

Texto e fotos de arquivo do autor;

mls

quinta-feira, 22 de dezembro de 2016

Reserva Naval nas LDG - Lanchas de Desembarque Grandes (5)


LDG «Bombarda»


(Post reformulado a partir de outro já publicado em 24 de Janeiro de 2009)

A LDG «Bombarda» (LDG 201), Lancha de Desembarque Grande foi a primeira a ser construída e deu o nome àquela classe. Vieram a acrescentar-se-lhe mais tarde as LDG «Alabarda» (LDG 201) e «Bacamarte» (LDG 203), aumentadas ao efectivo respectivamente em 7 de Abril de 1971 e 2 de Agosto de 1985.

Tal como as suas antecessoras da classe «Alfange», basearam-se nas LCT (Landing Craft Tank) americanas e tratava-se de lanchas de assalto anfíbio destinadas a transportar tanques em desembarques nas «testas de praia» durante a segunda guerra mundial. Em relação às primeiras, algumas das principais características, armamento, equipamentos, máquinas e energia eléctrica foram significativamente alteradas.

Estas diferenças, que poderiam ter justificado a criação de uma nova classe logo na fase de construção deste navio, apenas bastante mais tarde se veio a concretizar, motivo pelo qual o número de costado da LDG «Bombarda», inicialmente como LDG 105, número de costado na continuação da LDG «Montante» (LDG 104), veio a ser alterada para LDG 201, em data não se conseguiu precisar.




A LDG «Bombarda» ainda com o número de costado "105"

Resumo geral das características principais:




Por explicar, ficou o numero de costado LDG 105 com que iniciou a vida operacional. Manteve esse número de costado ainda durante algum tempo e, mesmo já na Guiné, onde foi atribuída ao Comando de Defesa Marítima daquele território, terá efectuado um número indeterminado de missões antes de passar a constituir uma classe própria «Bombarda» a que deu o nome e que iniciou como LDG 201.

A procura e pesquisa de elementos informativos sobre esta situação que tentámos esclarecer, aquando da primeira publicação não resultou. Na altura apelidou-se a questão de «Enigma da LDG 105...» e, por oportuno, suscitou curiosidade e algum humor. Claro que a guarnição da LDG 105, teve existência virtual, ou não, dado que ostentou, ainda que temporariamente, aquele número de costado, mais tarde modificado para LDG 201.

Meses antes, um antigo oficial da Reserva Naval que mais tarde ingressou nos QP´s, a pedido, cedeu para reprodução e digitalização algumas fotos e slides de diversas Lanchas. A escassez de imagens, documentação e episódios referentes ao historial conjunto das 10 LFG - Lanchas de Fiscalização Grandes da classe "Argos", LFP - Lanchas de Fiscalização Pequenas, LDG - Lanchas de Desembarque grandes, LDM - Lanchas de Desembarque Médias ou LDP- Lanchas de Desembarque Pequenas, activas participantes nos diversos teatros da guerra em África, justificaram diligências para se conseguir uma disponibilidade adicional de material de ilustração.




Guiné, 1969 - A LDG »Bombarda» atracada em Bissau

Para surpresa, foi cedido um conjunto de slides que incluiu dois da LDG 105 a que, mais tarde, se juntou um outro efectuado na Guiné, desta feita disponibilizado por um antigo camarada do Exército. Na altura, veio ao de cima a inexistência oficial da LDG 105 e, numa normal atitude de curiosidade pela descoberta, foi confirmado que a unidade naval referida não constava no descritivo de qualquer Dicionário de Navios, nem figurava como construída ou aumentada ao efectivo em documentação institucional.

Então, como seria possível a existência de mais que um slide daquela mesma unidade, a LDG 105, com um look totalmente operacional, a navegar ou até atracada na ponte-cais em Bissau? De lado podiam colocar-se de lado possíveis e fantasiosas utilizações de trabalho de imagem com softwares apropriados, porque a simples observação complementada com a irrefutável existência de mais que um slide, a cores e no clássico formato 24x36 mm deixava, à partida, inviabilizado qualquer demonstrativo de montagem fotográfica.

Aqui se deixa o registo deste tão invulgar quanto insólito pormenor, não sem que tenha havido o cuidado de encontrar uma explicação plausível para aquele pormenor da LDG 105. Certamente existirá documentação oficial arquivada, explicativa para o facto.




Em 1969, na Guiné - Xime , a LDG «Bombarda» prepara-se para abicar com um contingente de tropas

Depois de vários ensaios e provas largou para Bissau em Julho onde atracou no dia 30 desse mês depois de ter escalado Cabo Verde.

Comandada pelo 1TEN Arnaldo dos Santos Aguiar de Jesus teve como oficial imediato o STEN RN Luis Manuel Ferreira Marques do 13.º CFORN – Curso de Formação de Oficiais da Reserva Naval.

Transportava ainda os STEN RN João Manuel Nunes Vaz e STEN RN Alfredo Manuel de Paiva Pacheco, ambos oficiais da Reserva Naval igualmente do 13.º CFORN, que iriam assumir as funções de oficiais imediatos das LFG «Sagitário» e «Cassiopeia» respectivamente, ambas estacionadas na Guiné.




A caminho da Guiné, da esquerda para a direita:
STEN RN Luis Manuel Marques, STEN RN João Manuel Vaz e STEN RN Alfredo Paiva Pacheco


O segundo viria a estar presente mais tarde na operação «Mar Verde», como imediato da LFG «Dragão», em substituição do oficial da Reserva Naval que desempenhava as funções naquela unidade.

Apesar da boa cobertura cartográfica das bacias hidrográficas guineenses, o navio depressa foi solicitado para missões logísticas, em áreas situadas fora dos limites das áreas hidrografadas, o que, em associação com as difícies condições de manobrabilidade e de correntes ou marés, a situação de guerra que então se vivia, tornavam a sua condução num permanente acto de perícia marinheira e a sua segurança numa constante preocupação.




Momento de confraternização em Bissau, da esquerda para a direita:
STEN RN Alfredo Paiva Pacheco (LFG «Cassiopeia»), STEN RN João Manuel Vaz (LFG «Sagitário»), 1TEN Arnaldo Aguiar de Jesus (LDG «Bombarda»), STEN RN José Guerreiro Banza (LFP «Arcturus»), STEN FZ RN Sebastião Tavares Coutinho (CF 2), o Capelão do CDMG e dois oficiais não identificados


A LDG «Bombarda» navegou em todos os rios da Guiné, apoiou operações, sofreu algumas emboscadas armadas pelo PAIGC e transportou milhares de soldados, toneladas de abastecimentos, centenas de viaturas e outros materiais militares ou civis. Apesar do progressivo agravamento da situação militar, aquela LDG cumpriu sempre as missões que lhe foram atribuídas, abicando nos locais mais inacessíveis e de maior risco.

Em Novembro de 1970, entre os dias 17 e 27, participou na Operação «Mar Verde», juntamente com a LFG «Orion», LFG «Hidra», LFG «Cassiopeia», LFG «Dragão» e a LDG «Montante».

A 14 de Outubro de 1974, em conjunto com as LDG «Alfange», LDG «Ariete» e fragata «Roberto Ivens» – depois substituída pela corveta «Augusto Castilho» - rumou a Cabo Verde onde permaneceu até Junho de 1975, no apoio ao processo de descolonização em curso. Depois de efectuar diversas reparações, dirigiu-se a Las Palmas mas, com algumas avarias numa fase final da viagem, foi rebocada pela mesma corveta até àquele porto, onde atracou uma semana depois.

Novamente rebocada, desta feita pela FF «Almirante Pereira da Silva» rumou até ao porto do Funchal e finalmente para a Base Naval de Lisboa, onde chegou em 27 de Junho de 1975. Ali, veio a permanecer inoperativa até final de Maio de 1977*.




A LDG «Bombarda» abicada, agora já como LDG 201, em exercícios conjuntos com veículos anfíbios e fuzileiros

Até 1985 foram comandantes da LDG «Bombarda» os seguintes oficiais do QP:

1TEN Arnaldo dos Santos Aguiar de Jesus, 24Abr69 a 18Abr71;
1TEN João Pedro Rodrigues da Conceição, 18Abr71 a 17Mar73;
1TEN Luís Gonçalves Marques Ribeiro, 17Mar73 a 28DEz74;
1TEN Norberto Saturnino Cordeiro Ventura, 28DEz74 a 06Ago75;
1TEN Luís Gonçalves Marques Bilreiro, 06Ago75 a 11Mai77;
1TEN Mário Ceriaco Dores Sousa, 11Mai77 a 29Set77;
1TEN Álvaro Sabino Guerreiro, 29Set77 a 17Set80 (a);
1TEN Joaquim Filipe Figueiredo Alves Gaspar, 21Jan82 a 23Abr82;
1TEN Lucíçio Francisco Branco Toscano, 23Abr82 a 15Set83;
1TEN Álvaro José da Cunha Lopes, 15Set83 a 17Set85;
1TEN Carlos Manuel Mina Henriques, 17Set85 a n/id;

Anota-se como curiosidade que o então 1TEN Arnaldo dos Santos Aguiar de Jesus, mais tarde Contra-Almirante, já em 1963 tinha sido comandante da LFG «Argos», a primeira da classe e igualmente na viagem inaugural para a Guiné.

Até 1975, oficiais imediatos da LDG «Bombarda» os seguintes oficiais da Reserva Naval:

2TEN RN Luis Manuel Ferreira Marques, 13.º CFORN, 24Abr69 a 04Mai71;
2TEN RN Sebastião de Campos Salgado, 17.º CFORN, 04Mai71 a 03Fev73;
2TEN RN António José Geraldo Taborda, 20.º CFORN, 03Fev73 a 12Out74:
2TEN TE RN José Augusto de Freitas Carneiro, 24.º CFORN, 12Out74 a n/id;

No período de 17Set80 até 21Jan82 o navio teve dois encarregados de comando, sendo um o 2TEN António Rosário Rodrigues, não tendo sido possível, apesar das pesquisas efectuadas, determinar o nome do outro oficial encarregado de comando.

Naturalmente que, em períodos seguintes, terá havido outros oficiais imediatos quer dos Quadros Permanentes (depois de 1985) quer da Reserva Naval (depois de 1975) mas não foi efectuada qualquer pesquisa para lá dos registos efectuados até então.

Esteve durante cerca de dois meses numa missão de cooperação na República de Cabo Verde em 1979, participou em exercícios navais na costa continental portuguesa e em missões logísticas incluindo uma comissão no Arquipélago dos Açores.




Outro aspecto da LDG «Bombarda», veículos anfíbios e Fuzileiros em exercícios

Sofreu nova e prolongada imobilização de Julho de 1980, todo o ano de 1981 e até ao final de Abril de 1982, após o que voltou a estar operacionalmente integrada no dispositivo naval.

Em 5 de Outubro de 1985 encontrava-se atracada na Base Naval de Lisboa e mantinha-se ao efectivo dos navios da Armada.

Foi abatida ao efectivo dos navios da Armada em 31 de Outubro de 1997.


*Passou ao estado de desarmamento com lotação especial, conforme OA 1.ª série, n.º 16 - anexo E, de 24 de Março de 1976 e voltou ao estado de armamento normal de acordo com a OA 1.ª série, n.º 17 – anexo L, de 20 de Abril de 1977.:

Fontes:
Texto do autor do blogue compilado e corrigido a partir de «Setenta e Cinco Anos no Mar - Lanchas», Comissão Cultural de Marinha, 2006; Revista da Armada; Lista da Armada; Anuário da Reserva Naval dos Comandantes Adelino Rodrigues da Costa e Manuel Pinto Machado 1958-1975, 1992; fotos cedidas pelo 2TEN RN João Manuel Nunes Vaz (LFG «Sagitário») e Fur Mil Humberto Reis, Guiné-Xime, 1969;

mls

segunda-feira, 19 de dezembro de 2016

Navegando - Do Índico ao Lago Niassa (4)


Base Naval de Metangula - Fuzileiros, Reserva Naval, LDM e LDP

(Post reformulado a partir de outro já publicado em 3 de Março de 2009)

Os sinais de insegurança e a ameaça de acções hostis no território de Moçambique noticiadas no final de 1962, levaram os responsáveis militares a reforçar a segurança com o envio da Companhia de Fuzileiros nº 2 para Lourenço Marques, onde chegou no fim de Outubro.




Em cima, duas LFP atracadas no Cais das Lanchas

Em Agosto de 1963, foi enviada uma secção daquela unidade para o Niassa, por ocasião da activação do Comando de Defesa Marítima dos Portos do Lago Niassa e da Capitania.

Para o cabal desempenho das missões sob sua responsabilidade, veio o Comando de Defesa Marítima dos Portos do Lago Niassa, a integrar sucessivamente na Esquadrilha de Lanchas, as LDP «107», LDP «203», LDP «204» e também as LDM «404» e LDM «405» entretanto transportadas para o efeito. Mais tarde, no decorrer de 1965, as LDM «407» e LDM «408» completaram o conjunto de unidades navais atribuídas àquele Comando.




Em cima e em baixo, dois aspectos do transporte da LDM «408» para o Lago Niassa



Durante o ano de 1964 eclodiram as primeiras acções terroristas destacando-se, de um conjunto de atentados havidos, um ataque à LFP «Castor». O agravamento da situação e a necessidade de se dispor de meios para lhe fazer frente, obrigou ao reforço do dispositivo no Niassa com o envio do Destacamento de Fuzileiros Especiais nº 1 que ficou sedeado em Porto Amélia, onde chegou a 20 de Novembro.

No início de 1965 foi transferido para o Niassa, passando a efectuar operações ao longo da faixa costeira do Lago. Ainda no decorrer do mesmo ano foi o dispositivo reforçado com mais dois destacamentos de Fuzileiros Especias: o DFE 5 e DFE 12 e mais uma Companhia de Fuzileiros: a CF 8 , passando a dispor de duas companhias operacionais.




No Lago Niassa, a LDP «204» procede ao reboque de uma LFP com limitações operacionais

Os três DFE passaram a rodar periodicamente entre Metangula, Cobué e Porto Amélia conferindo maior versatilidade e capacidade ao conjunto e as CF, de forma idêntica, alternavam entre Lourenço Marques e Metangula.




A LDM «408» em fiscalização de rotina

As rendições sucederam-se e, em 1967, o dispositivo foi novamente reforçado com mais um DFE passando a dispor de dois destacamentos em Porto Amélia, com algumas estacionamentos temporários pontuais em Macojo, Ibo, Magoé Velho, Tchiroze e Tete. A partir de 1970 passa a haver apenas um DFE no Niassa.

A estratégia de rotatividade operacional no terreno, mantida pelo Comando Naval de Moçambique para os DFE e CF ao longo do tempo de comissão, implicou que todas aquelas Unidades tivessem estacionado temporariamente no Lago Niassa, quer em Metangula quer no Cobué.




Em cima, a LDP «107» abicada e, em baixo, a LFP «Mercúrio» navega no Lago Niassa



Em Abril de 1973, quando o DFE 5 termina a comissão já não é substituído e. em Setembro de 1974, é declarado o cessar fogo que conduzirá à retracção do dispositivo, com o consequente regresso de todas as unidades ao Continente.

Também no Niassa - Metangula, integrando Destacamentos e Companhias de Fuzileiros, os oficiais da Reserva Naval tiveram um papel fundamental no dispositivo da Marinha de Guerra, revelando sempre um elevado espírito de missão no cumprimento das missões para que foram nomeados.



A LDP «204» abicada, num desembarque de fuzileiros

Não se referem cargos e funções de oficiais de Unidades e Serviços em terra no Comando de Defesa Marítima do Lago Niassa, pela especial dificuldade em efectuar pesquisa e recolha de elementos nessa matéria. A extensão previsível de tal tarefa inviabilizaria o objectivo prático de trazer a todos os interessados informação da Reserva Naval em tempo útil.

Obrigatória e de indiscutível justiça a referência aos Destacamentos e Companhias de Fuzileiros, LDM e LDP que partilharam amizade, camaradagem e espírito de grupo com a Reserva Naval em ambiente de muito esforço, dedicação e sacrifício, muitas vezes ao mais elevado nível.


Nota:
Em próximos posts publicaremos a listagem completa de todos os oficiais, quer dos Quadros Permanentes quer da Reserva Naval que integraram Destacamentos de Fuzileiros Especiais (DFE) e Companhias de Fuzileiros (CF) presentes no Lago de Niassa.


Fontes:
Arquivo de Marinha; Factos e Feitos da Guerra de África, Luís Sanches de Baêna; Anuário da Reserva Naval dos Comandantes Adelino Rodrigues da Costa e Manuel Pinto Machado, 1958-1975, Lisboa 1992; cedências de fotos da Escola de Fuzileiros e ainda Manuel Alves da Silva, CF 2 - Moçambique, 1962/65, em http://companhia2fz.blogspot.com/

mls

sábado, 17 de dezembro de 2016

A Epopeia da LDM 302 na Guiné (2)


(continuação)

Novo ataque e incêndio da lancha em 10 de Junho de 1968


No dia seguinte, a 20 de Dezembro, equipas do SAO - Serviço de Assistência Oficinal e da secção de mergulhadores sapadores, rumaram para Ganturé embarcadas na LFG «Sagitário» com a finalidade de procederem ao salvamento da LDM 302. Aquela unidade naval, conjuntamente com a LFP «Canopus», garantiram apoio próximo e também escolta ao rebocador «Diana».




A LDM «302» em Ganturé durante a manobra de encalhe para recuperação

Reposta a lancha a flutuar e ainda sob escolta da mesma LFG, foi rebocada para Bissau, onde subiu o plano inclinado no dia 23. Os trabalhos de reparação prolongaram-se até 6 de Janeiro do ano seguinte.

Dia de alegria e também de orgulho para toda a equipa, foi aquele em que a LDM «302» içou à popa a bandeira nacional e recomeçou a navegar com nova guarnição, pronta para outras missões.




Depois de recuperada, a LDM «302» navega em experiências

Entendeu o Comando da Esquadrilha de Lanchas que deveria regressar ao rio Cacheu, agora integrada na organização operacional do dispositivo de contra-penetração ali montado, a Operação «Via Láctea», que viria a manter-se até final de 1971.

Seis meses depois do primeiro afundamento e exactamente no mesmo local, Porto de Coco, Tancroal, no dia 10 de Junho, descendo também o Cacheu, foi novamente atacada com canhão sem recuo, lança-granadas foguete, morteiros, metralhadoras pesadas e armas ligeiras, numa dura demonstração de poder de fogo do inimigo.



Em cima, no rio Cacheu, assinalado o Tancroal, o mesmo local de ataque à LDM «302»

Apesar da reacção imediata da LDM «305», comandada pelo cabo de manobra Lobo que navegava nas suas águas, logo aos primeiros disparos do inimigo foi atingido mortalmente por uma munição de lança-granadas foguete o grumete artilheiro António Manuel. Outro projéctil idêntico atingiu o escudo da Oerlinkon, fragmentando-se em numerosos estilhaços que feriram com gravidade, no tronco e nas pernas, o marinheiro artilheiro Manuel Luís Lourenço da Silva.

Mesmo ferido, continuou o artilheiro a fazer fogo sobre o inimigo, até que uma granada de morteiro deflagrou no poço da lancha, ateando um incêndio que se propagou à cobertura do poço e ao bote de borracha, provocando tal fumarada que o forçou a abandonar o posto da peça.

Ajudado pelo marinheiro fogueiro Ludgero Henrique de Oliveira, lançou o bote à água, fazendo o mesmo com o depósito de gasolina, pelo perigo que constituia. Colocaram o camarada já sem vida à popa, a salvo das chamas, voltando seguidamente à peça e continuando a fazer fogo até calar o inimigo.

O incêndio já tinha tomado proporções alarmantes estendendo-se a toda a lancha e o patrão, cabo de manobra Francisco Pereira da Silva, resolveu abicar à margem Norte. Saltaram então para a água e nadaram para terra conseguindo atingir o tarrafo.

A LDM «305», que não fora atingida, aproximou-se do local, embarcou todos os elementos e seguiu para Ganturé, onde o patrão da lancha, em estado de choque e o marinheiro artilheiro ferido, foram evacuados de avião juntamente com o corpo do artilheiro morto em combate.

No dia seguinte, a LDM “302” que continuava a arder foi rebocada pela LDM “305” para Ganturé, onde mais uma vez a equipa SAO e uma equipa de mergulhadores sapadores, com guarda montada por um destacamento de fuzileiros especiais a conseguiram repor em condições de ser rebocada para Bissau.




A LDM «302» encalhada em Ganturé, após o incêndio

Apoio próximo dado pelas LFP «Canopus» e LFG «Orion», tendo esta última procedido ao reboque da lancha até Barro, continuado depois pelo rebocador «Diana» até Bissau, com escolta daquela LFG.

Além dos elementos referidos, faziam igualmente parte da guarnição da LDM «302» o marinheiro telegrafista António Marques Martins e o marinheiro fogueiro Manuel Fernando Seabra Nogueira.

... e novamente recuperada, já não voltou ao Cacheu!

Em 26 de Julho voltou a subir o plano inclinado donde saíra quinze dias antes, mantendo-se ali em reparações até 10 de Novembro, data de aprontamento para regressar às habituais fainas.

Sabido que, na generalidade dos casos, os marinheiros são supersticiosos, não seria de estranhar que as guarnições da LDM «302» fossem sedimentando a convicção de que a lancha não se dava bem com os ares do Cacheu.

Compreensivelmente, o Comando da Esquadrilha de Lanchas decidiu-se pelo não regresso da lancha àquele rio, atribuindo-a à TU4*, conjunto de unidades navais encarregadas de manter o dispositivo de contra-penetração no rio Grande de Buba e com as mesmas missões de sempre, ou seja, transporte de forças de desembarque, apoio de fogo em operações militares e escoltas a combóios mercantes além de outras acções.

Já em 1969, pelas 11:30 horas do dia 18 de Fevereiro, quando navegava em missão de fiscalização, frente à foz do rio Uajá, afluente do rio Grande de Buba, foi atacada violentamente da margem esquerda com canhão sem recuo, lança-granadas foguetes e ainda metralhadoras ligeiras e pesadas.

Logo aos primeiros disparos, a cobertura da lancha ficou parcialmente destruída e foi ferido com gravidade o marinheiro artilheiro Dimas de Sousa Correia que, mesmo perdendo muito sangue, se manteve no seu posto de combate, disparando ainda quatro carregadores da Oerlinkon sobre o inimigo.

Talvez o seu sacrifício tenha evitado piores consequências ainda que, mesmo assim, registassem ferimentos ligeiros o marinheiro telegrafista, já mencionado em ocasião anterior, e o marinheiro fogueiro Custódio Mestre Paquete.

Houve igualmente um princípio de incêndio, originado por estilhaços dum projéctil de lança-granadas foguete que atingiu a cobertura do poço, mas foi rapidamente extinto.

O patrão da lancha era o cabo de manobra Manuel António Inácio, e ainda fazia parte da guarnição o marinheiro fogueiro Nogueira, numa prova evidente e confirmando o popular ditado de que não há duas sem três...




Cinco homens da guarnição que sofreu o último ataque, da esquerda para a direita: Mar CM Paquete, Cabo M Inácio, Mar A Correia, Mar CM Nogueira e Mar CE Martins (o penúltimo estava presente em três ataques à lancha e o último, no segundo e terceiro ataques).

Depois de evacuados e substituídos os elementos da guarnição referidos neste combate, a LDM «302» continuou a cumprir as habituais missões no rio Grande de Buba.

Até ao final da sua vida operacional, nunca mais foi atacada a gloriosa e nobre LDM «302». Passou à situação de desarmamento em 27 de Julho de 1972, tendo sido abatida ao efectivo dos navios da Armada em 30 de Novembro desse mesmo ano.

Notável historial de uma pequena unidade da Marinha de Guerra, a roçar a ficção ou o lendário, não tivessem sido reais os combates travados e as baixas sofridas. Os elementos das sucessivas guarnições, sem excepção, honraram ao mais alto nível um dever pátrio, no cumprimento das missões de que foram incumbidos, pagando alguns deles com a vida, a dedicação, a determinação e o estoicismo.

Estarão sempre presentes na nossa memória!



* TU4 - Task Unit 4

Das Unidades presentes:

• LFG «Sagitário» tinha como oficiais: 1TEN Joaquim Manuel Vaz Chaves Ubach (Comandante) e 2TEN RN José Horácio Gomes de Miranda (Imediato);
• LFG «Orion» tinha como oficiais: 1TEN Luis Joel Alves de Azevedo Pascoal (Comandante) e STEN RN Luis Mendes do Nascimento (Imediato);
• LFP «Canopus» tinha como oficial: STEN RN Henrique Nunes de Oliveira Pires (Comandante).


Fontes:
Arquivo de Marinha, Revista da Armada n.º 129 de Julho 1982, Setenta e Cinco Anos no Mar da Comissão Cultural da Marinha - Volumas diversos; Anuário da Reserva Naval, 1958-1975, Adelino Rodrigues da Costa e Manuel Pinto Machado, 1992; Fuzileiros-Factos e Feitos na Guerra de África, 1961-1974, Crónica dos Feitos da Guiné, Luís Sanches de Baêna, Comissão Cultural da Marinha, 2006;

mls

sexta-feira, 16 de dezembro de 2016

A Epopeia da LDM 302 na Guiné (1)


19 de Dezembro de 1967 – O ataque e afundamento da lancha




A LDM «302» antes de seguir para a Guiné a bordo de um navio mercante


A «LDM 302», de que apenas o casco veio dos EUA em 1963, foi adaptada nos estaleiros da Argibay, onde permaneceu para esse efeito de 9 de Outubro desse ano a fins de Janeiro do ano seguinte.

Foi aumentada ao efectivo das navios da Armada em 18 de Janeiro de 1964.

Chegou à Guiné, Bissau, a bordo de um navio da Marinha Mercante, na manhã de 23 de Fevereiro desse ano. Era seu patrão de então o marinheiro de manobra n.º 2156, Aristides Lopes.

Após um curto período de adestramento da guarnição, foi atribuída ao DFE 2 - Destacamento de Fuzileiros Especiais n.º 2, ao qual competia a fiscalização da zona do rio Geba tendo aí iniciado intensa vida operacional.

Efectuou um primeiro cruzeiro de fiscalização naquele rio, em 18 de Março, sem que nada de anormal tivesse ocorrido, o que poderia ser interpretado como bom augúrio naquele teatro de guerra.

De 9 a 11 de Abril, pela primeira vez, em conjunto com a LDM «101», LDM «201«, LFG «Escorpião», LFP «Canopus» e os DFE 8 e DFE 9, foi incluída numa missão de apoio de fogo e transporte de fuzileiros, a operação «Tenaz», levada a cabo no rio Cumbijã.

Em 22 de Abril o baptismo de fogo. Frente a Jabadá quando, em conjunto com mais três LDM procedia a um desembarque de fuzileiros, o inimigo tentou opor-se com fogo de armas ligeiras mas não conseguiu evitar o desembarque.

No dia 22 de Julho, foi atacada pela segunda vez, desta feita no rio Cacheu, em Porto de Côco. O inimigo, emboscado nas margens, utilizou metralhadoras pesadas e morteiro, sem consequências.

Durante o resto do ano de 1964 tomou parte em várias operações no rio Geba e recolheu ao SAO – Serviço de Assistência Oficinal, onde foi submetida a alterações no poço, procedendo-se à instalação de uma cozinha e alojamentos para a guarnição. Foram também protegidos com chapa balística a casa do leme e o escudo da peça Oerlinkon de 20 mm.

A partir de então ficou com possibilidades de alojar permanentemente a guarnição, como viria a revelar-se indispensável.

1965, veio a revelar-se para a LDM «302» um ano muito duro. Continuando a desempenhar denodadamente missões de fiscalização, escoltas a combóios de barcaças mercantes, transporte de tropas e apoio de fogo, no dia 4 de Fevereiro, em frente de Tambato Mandinga, no rio Cacheu, foi violentamente atacada das margens com morteiros e metralhadoras ligeiras, sofrendo 30 impactos no costado e superestruturas. Não houve baixas na guarnição para o que muito contribuiu, certamente, a sua pronta e valorosa reacção.




A LDM «302» navegando no Cacheu, junto ao tarrafo da margem
A – Poço(resguardado com chapa balística); B – Peça Oerlinkon; C – Tarrafo; D – Casa do leme;
E – Bote de borracha; F – Porta de abater; G – WC.


No dia 4 de Outubro, no rio Armada, um afluente do Cacheu, em missão de transporte de forças terrestres, foi atacada das margens com metralhadoras ligeiras e granadas de mão, resultando 10 feridos ligeiros entre os militares embarcados.

Novamente, em 28 de Outubro, a leste de Farim, na margem do Cacheu, durante uma operação de desembarque de fuzileiros foi alvejada, sem consequências, com tiros de espingarda.

Foi de relativa tranquilidade o ano de 1966 dado que, apesar de ter estado sempre no rio Cacheu no cumprimento das missões que lhe foram atribuídas, não teve qualquer contacto de fogo directo. Mercê do seu constante vaivém nos rios da zona, tornara-se já perfil conhecido e respeitada pelo inimigo.

Trágico viria a revelar-se o ano de 1967, ainda que pelo escoar do tempo se assemelhasse ao anterior, aparentemente tranquilo. Chegara-se a meados de Dezembro sem qualquer acção hostil e apenas no dia 16, em violenta acção do inimigo contra Binta, auxiliou com eficácia as forças terrestres na defesa daquele aquartelamento.

Não viriam aqueles seis homens de guarnição a terminar assim o ano quando, a 19 de Dezembro, pelas 11:00, a LDM “302” descia o rio Cacheu, em postos de combate, calor já a apertar, margens de tarrafo denso a entranhar-se pelo rio.

No leme, o patrão, marinheiro de manobra Domingos Lopes Medeiros; nos seus postos, junto à Oerlinkon, os marinheiros artilheiros Manuel Luís Lourenço e Silva e Manuel Santana Carvalho; no posto de fonia, o marinheiro telegrafista Joaquim Claudino da Silva; na MG 42 o marinheiro fogueiro Manuel Fernando Seabra Nogueira e junto aos artilheiros, pronto a acorrer onde necessário fosse, o marinheiro fogueiro Ludgero Henriques de Oliveira, de serviço aos motores, comandados da casa do leme.

A lancha deixara para trás uma das muitas curvas sinuosas do rio e passava frente à clareira do Tancroal, com a guarnição em redobrada atenção pelo comprovado perigo que representava, pelo historial anterior de ataques já desferidos contra diversas unidades navais.

Subitamente, observaram-se fumos na margem sul à boca de peças e, quase de seguida, fortes rebentamentos. O navio estremeceu violentamente e os motores pararam. Estavam sob violentíssimo ataque de canhão sem recuo, lança-granadas foguetes (RPG) e ainda metralhadoras, pesadas e ligeiras.




Em cima, no rio Cacheu, assinalado o Tancroal, local de ataque à LDM «302»

A lancha atingida e com o patrão gravemente ferido ficou sem leme, entrando pelo tarrafo da margem Norte. Os ramos vergaram de imediato e, de seguida, ao recuperarem a posição normal, projectaram a LDM «302» que recuou, ficando à deriva.

A lancha metia água e afundava-se rapidamente de popa. A inclinação era já muito grande e os artilheiros, com água pelo peito, ainda faziam fogo por cima do tecto da casa do leme com grande dificuldade. O posto de fonia, atingido por um estilhaço de granada, tinha ficado destruído e o patrão moribundo, jazia caído sem que alguém lhe pudesse sequer acudir no momento.

Sentido, de todo, que o navio estava perdido, os artilheiros viram-se forçados a abandonar a peça tentando então o telegrafista, socorrer o patrão. Fez um esforço para o por de pé mas foi-lhe de todo impossível. Atingido em cheio estava quase cortado em dois, pelas costas, com as vísceras de fora.

Inexplicavelmente, o inimigo deixou de fazer fogo. O telegrafista, o mais antigo depois do patrão, assumiu o comando e deu ordem para abandonar a lancha. Arriaram então o bote de borracha, colocaram lá dentro, o patrão, nessa altura já morto, os papéis de bordo e uma G3, dirigiram-se para a margem e esconderam-se no tarrafo. Fora de água, a lancha tinha apenas parte da porta de abater.

Era imperioso alguém ir a Bigene, o aquartelamento do Exército mais próximo, situado a cerca de três quilómetros e regressar com socorros. Sendo os restantes elementos novos na guarnição e o telegrafista o único conhecedor da zona, empunhou a arma e foi ele próprio, conseguindo lá chegar coberto de lama e sem precalços pelo caminho.

Entretanto, a LDM «304», que navegava não longe do local, alertada pelo ruído das explosões e tiros da LDM «302», dirigiu-se ao local deparando, para espanto da guarnição, com uma lancha totalmente afundada, sem ninguém à vista.

Passaram-lhe um cabo de reboque e seguiram rio abaixo, avistando pouco depois os sobreviventes que embarcaram e relataram o sucedido.

Mas nesse dia a má sorte acompanhava a LDM «302». Ao aportarem a Ganturé, local escolhido para encalhar a lancha, em águas poucos profundas para poder ser recuperada, o artilheiro Carvalho, que saltara do bote para a LDM «302» a fim de manobrar os cabos de reboque, caiu à água e nunca mais foi visto, não obstante os porfiados esforços dos seus camaradas, soldados e nativos de terra que tinham acorrido ao local.

Tudo tinha sido muito rápido, com consequências trágicas em escassos vinte minutos de duração, num combate desigual para a guarnição, que enfrentou o inimigo com perda de vidas mas com exemplar determinação, abnegação e estoicismo.

Foram agraciados com a Cruz de Guerra na cerimónia anual do 10 de Junho, no Terreiro do Paço, estando os já ausentes representados pelas suas famílias.

A LDM «302» seria rapidamente recuperada e voltaria a navegar!


(continua)



Das Unidades presentes:

• LFG «Escorpião» tinha como oficiais: 1TEN José Olias Maldonado (Comandante) e 2TEN RN Fernando Tavares Farinha (Imediato);
• LFP «Canopus» tinha como oficial: 2TEN RN Luis Pinto Fernandes Sequeira (Comandante);
• DFE 2 tinha como oficiais: 1TEN Mário Augusto Faria de Carvalho (Comandante) que tinha substituído o 1TEN Pedro Manuel de Vasconcelos Caeiro, ferido em combate; 2TEN Adolfo Esteves Sousa (imediato), 2TEN FZ SE António Carlos Samões e 2TEN FZE RN José Luis Couceiro;
• DFE 8 tinha como oficiais: 1TEN Guilherme Almor Alpoim Calvão (Comandante), 2TEN José Manuel Malhão Pereira (Imediato) e 2TEN FZE RN José Luis Couceiro (3.º Oficial); este último tinha substituído o 2TEN FZE RN Abel Fernando Machado de Oliveira, ferido em combate;
• DFE 9 tinha como oficiais: 1TEN Horácio Gata Metelo de Nápoles (Comandante), 2TEN Francisco Isidoro Montes de Oliveira Monteiro (Imediato) e 2TEN FZE RN Emídio da Silva Simões (3.º Oficial);


Fontes:
Arquivo de Marinha, Revista da Armada n.º 129 de Julho 1982, Setenta e Cinco Anos no Mar da Comissão Cultural da Marinha - Volumas dibersos; Anuário da Reserva Naval, 1958-1975, Adelino Rodrigues da Costa e Manuel Pinto Machado, 1992; Fuzileiros-Factos e Feitos na Guerra de África, 1961-1974, Crónica dos Feitos da Guiné, Luís Sanches de Baêna, Comissão Cultural da Marinha, 2006;

mls

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